Metáforas somatopsíquicas: o infantil em suas re(a)presentações como constituinte do desenvolvimento emocional
Palavras-chave:
Clínica psicanalítica, Metáfora somatopsíquica, Transferência, Infantil, Aspectos primitivos da mente, Técnica psicanalítica, GravidezResumo
Partindo da noção de infantil como reservatório sempre presente de aspectos arcaicos revisitáveis, em constante resgate e atualizações, a reflexão clínica apresentada percorre a experiência de uma dupla analítica em vários encontros com o infantil, considerando a presença em registros somáticos e as lembranças instaladas no corpo, ambos clamando por integração psíquica. Para se referir a esse processo, proponho a noção de metaforizacão somatopsíquica. Diante da precariedade de vivências relacionais, Lídia parece precisar gerar e gestar possibilidades de transformação ao exercitar novas parcerias de intimidade capazes de auxiliá-la a internalizar objetos sentidos como menos violentos e não tão ameaçadores. O contato clínico com estados primitivos (forjados, em linguagem metafórica pela paciente, como pacotinhos perdidos a serem encontrados e desembrulhados) estaria demandando a construção de aspectos da experiência não representada e a constituição de tecido psíquico, além (mas também aquém) do desvelamento de aspectos reprimidos e recalcados. Paralelos entre a relação analítica e o emergir da gravidez da paciente evocam elucidativas comunicações de aspectos do infantil, além de possíveis janelas de acesso ao campo da metaforização e integração somatopsíquica.
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