Trauma e depressão na contemporaneidade: de qual tipo de trauma se fala? E de qual depressão? E o que há de contemporâneo?
Palavras-chave:
Trauma narcísico-identitário, Inveja, Tantalização, Melancolia, Contemporaneidade, Britton, Energia livre, FristonResumo
O autor propõe que o trauma que pode se relacionar a certas manifestações depressivas na contemporaneidade seja o traumatismo narcísico-identitário, originado na relação primária de espelhamento, conforme descrito por Winnicott (1967/1971) e depois desenvolvido por muitos, destacando-se Green e Roussillon. Uma concepção intersubjetiva da inveja como defesa é apresentada nesse contexto. Alguns aspectos coletivos de tal processo no presente são pensados a partir das propostas de Bollas (2018) quanto à resposta maníaca diante da perda de valores humanos em crescimento desde a “era Trump”. Em relação às manifestações mais contemporâneas desse processo, o autor primeiro apresenta a crítica feita por estudiosos contra a tendência catastrofista dirigida às novas gerações. Sugere que se trata da repetição de um velho padrão de difamação do novo e da idealização do passado como defesa narcisista contra a percepção do envelhecimento e da mortalidade, justificando assim porque não vai seguir tal caminho. Em seguida, a postura de Britton (2021) de PS (n+1), reiterada recentemente a favor de uma atitude mental aberta à integração entre psicologia e neurociência, disposta à incerteza e a se desfazer de bagagem desnecessária enquanto reconhece a unidade do conhecimento, é valorizada como epistemologicamente muito atualizada. Dentro desse paradigma, são apresentados os desenvolvimentos de Karl Friston et al. (2024) quanto à compreensão do psiquismo como um sistema complexo auto-organizado através dos envoltórios de Markov, os quais diferenciam o meio interno e constroem representações informacionais do externo como forma de postergar a extinção pela entropia.
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Referências
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